sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Memórias de um Conselheiro Amoroso - Capítulo 2

Uma Grande Idéia

O
elevador parou de subir. Isso quer dizer que a ida até o meu andar tinha se encerrado. Em seguida, as portas metalizadas se abrem. Com as portas abertas, o número seis do painel eletrônico começa a brilhar e a música instrumental encerra o seu show.
Para saber se estava no andar correto, tinha que verificar uma coisa: o número escrito na parede. Vejo que estou no lugar certo, após ver o número 6 pintado na parede. Depois de confirmar o número do andar do meu apartamento, salto do elevador, antes que suas portas se fechem.
Aquele andar era como os outros do prédio. Em todos tinha um pequeno corredor, com paredes – recentemente pintadas – em branco. O chão de todos era de madeira taco, forrado por um enorme tapete felpudo – por adorar senti-lo em meus pés, eu, antes de pisar sobre ele, tirava o calçado.
Todo morador daquele prédio tinha que fazer somente duas coisas para chegar até o seu apartamento: primeiro, tinha que pisar no tapete felpudo e, segundo, dependendo da situação, tinha que cruzar o corredor. Para chegar até o meu apartamento, fiz o caminho que todas essas pessoas fazem todos os dias. Como morava no penúltimo apartamento, cruzei o corredor, pisando meus pés sobre o tapete felpudo. Após passar por cinco portas fechadas, chego ao meu apartamento. Era ali, caro leitor, que este que vos escreve morava! O apartamento com o número 30 em sua porta.
Estando diante da porta de casa, a sensação nostálgica de antes continuava a me incomodar. Tanto que eu sentia, naquele momento, um grande aperto no peito. Por se sentir mal, queria entrar em casa. Mas, para entrar, precisava das chaves. Como não estava com elas, começo a procurá-las, enfiando minhas mãos em todos os bolsos do short. Enquanto as procurava, passo sem querer a mão sobre o cartão de Luana. Acho-as, finalmente, depois de passar a mão em um dos bolsos de trás do short.
Após encontrar o molho de chaves – e junto a ele, estava um chaveiro, que tinha o formato da réplica do Cristo Redentor – eu tinha que encontrar a chave que abria aquela porta. Não demoro muito para encontrá-la! Por que a chave que abria aquela porta, era a única que tinha formato redondo no molho.
Com ela na mão, coloco-a no buraco da fechadura e a viro. Instantaneamente, se ouve o barulho de uma tranca se abrindo. Este barulho me faz, em seguida, colocar uma das mãos na maçaneta dourada e posicioná-la para baixo. Fazer este último movimento faz a porta se abrir. Estando com a porta aberta, eu posso, finalmente, entrar no meu ‘lar doce lar’. Fecho a porta, após entrar no meu apartamento. Por que, como era um bom vizinho, eu não queria incomodar ninguém naquele andar.
A primeira coisa que faço, quando entro em casa, é colocar o molho de chaves, no porta-chaves – um objeto decorado por imagens relacionadas ao mar – que estava pendurado na parede. Como estava, naquele momento, um pouco distraído, coloco as chaves sobre uma mesinha, que ficava próxima a porta.
Apesar de distraído, consigo perceber que perto do molho de chaves, estava um porta-retratos. Onde a foto de uma pessoa muito especial estava: minha mãe. Ver aquela foto fez a saudade que eu tinha dela começar a brotar no meu peito. Por estar com saudade dela, naquele momento, olho para a foto e digo uma coisa:
- Sinto sua falta mamãe! – eu dou um beijo em uma das minhas mãos e coloco sobre a foto.
Atrás do porta-retratos, estava um pequeno vaso contendo tulipas amarelas. Essas flores artificiais foram feitas por mamãe que, no dia que saí de Taubaté, me deu o vaso. Antes de me dá-las, me disse, com lágrimas nos olhos, que estas tulipas iriam me fazer lembrar sempre dela. Isso aconteceu, amigo leitor! Por que, todas as vezes que eu olhava para a flor, me lembrava dos longos abraços... dos  intermináveis carinhos que só minha mãe sabia me dar.
Não sei por que, mas lembrar de mamãe estava me deixando muito triste, naquele momento. Tentando acabar com a tristeza, paro de olhar para a sua foto no porta-retratos.
Naquele instante, queria saber o que passava na televisão. Para saber isso, eu primeiramente, verifico as horas no enorme relógio, pendurado na parede. O relógio marcava: doze horas e trinta e cinco minutos. Aquele horário significava que o telejornal da hora do almoço estava acabando.
Essa era a parte do telejornal que eu mais gostava! Não por querer ver o programa de auditórios que vinha a seguir. Mas, por que, naquela parte, era onde se davam as notícias do esporte e, como eu era fissurado por futebol, gostava de ver os gols da rodada dos campeonatos disputados no Brasil e no mundo. Para poder ver esses gols, pego o controle-remoto, sobre a raque preta. Porém, antes de ligar a TV LCD quarenta e duas polegadas, me sento em um sofá de couro preto.
Quando ligo a televisão, a primeira coisa que aparece é um programa de entrevistas, onde uma famosa funkeira preparava uma receita de cozinha. Como não gostava de programas assim, começo a zapear os canais.
Após zapear por alguns canais, eu, finalmente, encontro o canal do telejornal, que, naquele momento, mostrava os vários gols do jogo Vasco e Olaria, pelo Campeonato Carioca. Onde o gigante da Colina tinha goleado seu adversário por sonoros cinco a zero, com direito a gol olímpico do célebre meio-campo Juninho Pernambucano. Depois de mostrar os cinco gols do time cruz-maltino, os ancoras se despedem do telespectador e o telejornal acaba.
Com o fim do telejornal, eu, naquele instante, queria ver um filme. Mas, estava com azar! Por que, após zapear os canais, não encontro nenhum filme, naquele horário, apenas velhas séries de humor, canais de vendas de eletrodomésticos, canais agropecuários, canais religiosos... nem os chamados canais a cabo tinham filme. Por não ter nenhum filme na televisão, eu, simplesmente, desligo-a.
Minha boca, subitamente, resolve ficar seca. Para minha boca voltar ao normal, eu precisaria tomar um gole d’água. Por isso, me levanto do sofá e vou ao único lugar que tinha filtro na casa: a cozinha. Durante o trajeto, noto que alguns cômodos da casa – como: o meu enorme quarto, o grande banheiro e o espaçoso quarto de hóspedes – estavam com as portas abertas.
Chegando a cozinha, a vontade de tomar água passa. Mas, a sede continua. Agora, queria tomar suco de laranja. Como me lembrei que tinha feito ontem, vou até a geladeira. Porém, antes de abri-lá, noto que, preso a ela, estava um aviso.
O aviso me causa tanta curiosidade que eu, sem demora, começo a lê-lo. Ler o aviso me faz lembrar uma coisa: tinha que ligar para o número da loja de antena parabólica e pedir a eles para instalar uma antena que pegasse os jogos de fora do estado. Por que, no próximo domingo, ia ter clássico pelo Paulistão, caro leitor! O meu time – o Corinthians – ia enfrentar, no estádio do Morumbi, seu arqui-rival – o São Paulo. Como minha antena pegava os jogos só do Rio de Janeiro, eu tinha que mudá-la.
Apesar de querer que minha antena parabólica fosse urgentemente mudada, eu decidi deixar essa tarefa para depois. Por que continuava a sentir vontade de tomar suco de laranja. Para acabar com a minha vontade, abro a porta do eletrodoméstico e retiro uma jarra com suco de laranja. Em seguida, fecho a porta da geladeira e a coloco na pia. Obviamente que, para beber o suco da jarra, eu precisava de um copo. Por isso, vou até o armário, abro uma de suas portas e retiro um copo. Após pegar o copo, fecho a porta do armário e o coloco na pia, próximo a jarra.
Com os dois objetos próximos um do outro, eu coloco o suco da jarra no copo, até o mesmo estar cheio. Depois de colocar o suco, guardo a jarra de volta na geladeira. Para poder, finalmente, matar minha vontade e começar a beber o suco de laranja.
Enquanto bebo o suco, outro ruído – bem diferente dos ruídos que aconteceram na praia – toma a minha atenção. Ele vinha da lavanderia do apartamento e se parecia muito com pingos de chuva. Para ter certeza disso, vou até lá.
Estando perto da porta de vidro da lavanderia, eu consigo ter certeza que aquele barulho era realmente de pingos de chuva. Vê-los me fazem perceber uma coisa: aqueles pequeninos pingos de chuva iam se transformar, daqui a pouco, em um grande temporal. Não demorou muito tempo para acontecer isso, amigo leitor! Pois, aqueles minúsculos pingos se transformaram, em poucos segundos, em um temporal, tendo a companhia de raios e trovões.
Um temporal é normalmente uma coisa não muito agradável de se ver. Mesmo assim, começo a observá-lo. Enquanto olhava-o molhar o planeta Terra, uma grande idéia, de repente, surge na minha cabeça: escrever uma autobiografia. Apesar de nunca ter escrito um livro, caro leitor, sempre me dava muito bem nas provas de redação, do colégio. Dava-me tão bem que minhas notas de língua portuguesa eram acima de oito.
Depois de ter essa idéia maravilhosa, me sinto tão inspirado que uma vontade de escrever surge repentinamente. Para fazer isso, precisava ir até o meu escritório – o lugar mais sossegado da casa. Mas, antes de ir para lá, tinha que fazer uma coisa, para me deixar tranqüilo: lavar o copo, onde bebi o suco. Após beber o suco de laranja, lavo o copo com detergente e o coloco no escorredor. Como disse no capítulo anterior, caro amigo que lê este livro, tudo isso graças ao meu pai! Por este motivo, não deixava de lavar os utensílios usados na cozinha. Para você ter uma idéia da minha mania de limpeza, se deixasse, pelo menos, um dia de louça sem lavar, eu não conseguiria dormir.
Após lavar o copo, volto a fazer aquilo que sentia vontade – ir até o meu escritório. O caminho até lá não era muito difícil: primeiro você tinha que retornar a sala e, depois de estar nela, era só cruzá-la. Depois de fazer isso, era só ir até um cômodo pequeno, que ficava próximo a enorme janela de vidro.
Chego diante de uma porta corrediça branca, que era a porta que trancava aquele pequeno cômodo. A primeira coisa que faço estando diante da porta, é abri-la. Mas, quando ia entrar no escritório, uma coisa me atrapalha a prosseguir: meu gato siamês amarelado – Bilu.
O bichano, por estar com fome, esfregava – repetidas vezes – seu peludo corpo em minhas pernas, me pedindo comida (mas para frente, se eu lembrar, conto uma história engraçada sobre este gato). Para matar sua fome, eu retorno a cozinha e retiro do armário, um pote cheio de ração. Estando com o pote, o abro e coloco a ração dele, sobre uma tigela verde, que estava próxima a porta da lavanderia. Com o gato se alimentando, retorno para a sala. De volta à sala, eu posso, finalmente, adentrar no meu escritório.
Como disse nos parágrafos anteriores, o escritório era o lugar mais sossegado do apartamento. Tanto que, nas vezes que queria ter paz e sossego, eu ia para lá. Foi por este motivo, que escolhi aquele lugar para escrever minha autobiografia.
A primeira coisa que faço estando lá é fechar a porta daquele lugar. Fazendo isso, eu poderia escrever sem ter interrupções. Estando a porta já fechada, eu, primeiramente, me sento em uma bonita cadeira de couro preta, depois, ligo o notebook que estava sobre a mesa. Com tudo pronto, posso, finalmente, dar início as minhas memórias!
Após ler o que eu acabei de escrever, acredito que você quer, neste momento, me fazer uma pergunta: por que escrever um livro, Serafim? Quero escrever um livro, caro leitor, por que, além de contar minha história para alguém, quero ajudar pessoas, através do meu exemplo, a superar suas adversidades.
Espero que com este livro, você, que está com depressão... que sente, neste momento, uma grande tristeza no coração... que não tem auto-estima... que não tem vontade de viver, sinta desejo de sorrir de novo.

Respondida a pergunta, desejo a você, caro amigo, bom divertimento em sua leitura!

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