segunda-feira, 21 de outubro de 2013

UM PERSONAGEM IMPORTANTE NA MINHA VIDA!

Apesar de não ter postado o terceiro capítulo ainda, eu queria antecipar uma parte do seguinte. Quero fazer isso, por que semana passada fez um ano e três meses que minha tia morreu e nessa parte o personagem principal descreve uma tia que ele gosta muito. Quem a conhecia, vai identificá-la rapidamente!

"...era Tia Lurdinha, a irmã mais velha de mamãe.
Falando nela, havia uma coisa que ela tinha que me deixava bastante espantado: sua jovialidade. Mesmo beirando a casa dos cinqüenta anos de idade, suas pernas ainda eram sedosas e torneadas. Além de sua jovialidade, eu ficava admirado com a forma independente que minha tia levava sua vida – pelo o que mamãe me disse, tudo isso começou na infância, quando ela ajudava meu avô a vender bonecos de pano e outras bugigangas na sua banca do Mercado da nossa cidade. – Apesar de apreciar o seu modo de vida, acho que toda essa independência trouxe alguns malefícios para ela.
O menos nocivo deles foi o orgulho. Mesmo sendo o menos prejudicial, ele era tão grande que fazia minha tia ficar irritada quando dependia de alguém. Por causa desse pecado capital, ela odiava pedir ajuda. Por que na sua cabeça, o individuo não ia realizar a tarefa da maneira correta – traduzindo: do jeito dela – ou até pior, poderia negar o seu pedido – negar um pedido dela, leitor? Graças a Deus, nunca fiz isso! Por que sabia que isso a deixaria de mau-humor o dia inteiro.
Apesar de ser muito orgulhosa, titia era uma pessoa prestativa. Tanto que ela ajudava, a maioria das pessoas, que a procuravam em sua casa ou no trabalho. Isso também valia quando alguém na família a pedia ajuda. Porém, diferentemente das outras pessoas, Tia Lurdinha estabelecia um combinado: se ajudei, quero resultado. Mesmo estabelecendo este combinado, nós quando falávamos sobre ela para alguém, esta sua qualidade também entrava no assunto.
Sempre vou agradecê-la, por ser assim! Uma vez, passávamos por problemas financeiros. O dinheiro estava acabando e as dívidas aumentando. Tentando resolver o problema, meu pai pediu empréstimos a vários bancos, que os recusaram. Mas, felizmente, minha tia ficou sabendo de tudo – mamãe, mesmo com vergonha, contou para ela – e, pensando na sobrevivência de seus dois sobrinhos, emprestou dinheiro a papai. Ainda por cima, comprou uma cesta básica todo o mês, para que nós não passássemos fome. Com o empréstimo, o benfeitor da nossa casa pode pagar todas as suas dívidas e normalizar sua situação financeira. Assim que tudo voltou ao normal, ele pagou o empréstimo que tinha com sua cunhada.
Além do orgulho, Tia Lurdinha – como todo ser humano – tinha muitos defeitos e o pior deles era o seu gênio. Ele era tão forte que bastava uma coisa ou alguém perturbá-la que ela já ficava irritada. Para descontar essa raiva em alguém, titia ligava em casa. Como era mamãe que atendia ao telefone na maioria das vezes, só de ouvir o tom de voz, já sabia que sua irmã estava brava. O assunto dessas ligações era o mesmo: perguntar sobre o futuro dos seus sobrinhos. Mesmo sabendo que nossa tia estava de mau-humor, minha mãe era sincera e dizia que, por sermos ainda crianças, não pensava ainda sobre o nosso futuro.
Ouvir essa resposta irritava mais Tia Lurdinha. Mas, ao invés de gritar e xingar mamãe com palavrões, uma coisa engraçada acontecia, leitor: ela aconselhava-a. No entanto, não eram conselhos que um grande amigo ou uma pessoa da nossa família dá quando nos vê envolvido em um problema. Pelo contrário, nas palavras de titia, eles soavam como ordens.
Por causa do gênio forte, Tia Lurdinha nunca teve sorte no amor. Apesar de namorar muito na juventude, a maioria desses relacionamentos não deu certo e o sonho do véu e da grinalda nunca chegou à sua vida. Acho que isso aconteceu, por que minha tia tinha um pensamento muito feminista: na sua cabeça não passava a possibilidade de um homem mandar em sua vida. Mesmo nunca tendo se casado, titia nunca ficou só. Pois privava da companhia do bicho de estimação que mais adorava: o gato.
Graças aos seus amigos felinos, minha tia nunca se sentiu sozinha. Principalmente, nas vezes, que nós, seus três queridos sobrinhos, não estavam por perto. Além disso, com a ajuda dos gatos, Tia Lurdinha, passou pela casa dos quarenta, sem se importar em abandonar sua vida social.
Como era uma pessoa perfeccionista, – uma qualidade onde muitos insistem transformar em defeito – ela queria que todas as coisas que aconteciam ao seu redor fossem perfeitas. Quando isso não se cumpria, Tia Lurdinha ficava com tanta raiva que alguns palavrões começam a sair de sua boca. Titia era tão ‘boca suja’ que, Luca e eu, de tanto ouvir, começávamos a repeti-los, mesmo não sabendo o que a maioria deles significava.
Apesar de todos os defeitos, havia uma coisa que Tia Lurdinha fazia na minha infância que eu adorava: quando ia nos visitar em casa, ela sempre me trazia presentes.
Acredito que, depois de ler esta última frase, você ache que eu era a criança mais egoísta do mundo. Vou ser honesto, leitor, adorava ser presenteado por ela, sim. Mas, o presente mais valioso que nossa tia nos dava era o amor que sentia por nós.
Esse amor que sentia pelos seus amados sobrinhos era tanto que, para não perder nenhum aniversário ou acontecimento importante na nossa vida, ela programava suas folgas com antecedência. Por causa do amor que sentia por nós, Tia Lurdinha não media esforços para nos agradar. Comprava-nos os presentes mais legais e mais caros da época. Só para você ter uma idéia da qualidade deles, uma vez, minha tia me deu uma TV de vinte polegadas, a mais moderna que tinha na época.
Sempre achei que, por causa desses presentes caros, Tia Lurdinha era rica. Mas, com o passar dos anos, descobri que ela era apenas uma bem-sucedida funcionária de um Posto de Saúde de Mogi das Cruzes. Também com o passar dos anos, descobri o real motivo dela nos amar tanto. Minha tia fazia ‘tripas e coração’ para nos agradar, por que: se sentia frustrada por não ter tido filhos. Por isso, nos tratava como filhos. Seus únicos sobrinhos eram: eu, meu irmão e Izabelle. Dos três, minha prima era a mais velha." 

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