sexta-feira, 5 de junho de 2015

LAÇOS DE CASAMENTO - PROMESSA

Como promessa é dívida, já que atingi a marca de 34 visualizações (o que esperava) no post do primeiro capítulo do livro Laços de Casamento. Decidi postar o segundo capítulo, que para mim, é o principal do livro, onde Eduardo, o garoto que não gosta de casamentos, encontra Bella. Espero que gostem e quem gostar comenta aí!

Capítulo 2

Nem duas semanas se passaram da cerimônia anterior e outro convite já chega à casa dos Martins-Valença pelo correio. Como eram simpáticos e solícitos com seus parentes – que tinham em todo Vale Paraíba, grande São Paulo e alguns pontos sulistas de Minas Gerais –, eles eram convidados para casamentos de filhos ou sobrinhos desses familiares. Apesar da greve dos carteiros que assolava a cidade, naquela época, os convites chegavam, por sorte, uma semana antes da celebração.
A simpática e solícita família Martins-Valença era formada por Janeci ou Seu Jane, o feirante mais gente boa da Avenida Guararema e que todo cidadão lorenense conhecia. Ele era casado há dezesseis anos com Iracema ou Dona Iraci, uma dedicada e amorosa professora de primário. Os dois faziam tripas e coração para criar seus dois filhos: o calado Eduardo e o serelepe Juninho.
Após sair da cozinha e cruzar a sala, o garoto nota que seu pai segurava um papel branco em uma das mãos. Ver o objeto o faz pensar imediatamente: “Ai, meu Deus! Mais um casamento chato à vista!” Querendo desabafar com alguém este pensamento, ele, logo em seguida, o posta no Facebook.
Uma semana se passa e mais um sábado de casamento chega. Só que diferente do anterior, neste a noite estava magnífica. Tudo graças a uma Lua cheia que iluminava e embelezava o planeta Terra.
Apesar da beleza da Lua, Eduardo, mais uma vez com cara de tédio, veste, obrigatoriamente, a roupa social negra que, graças a mania de arrumação de sua mãe, estava dentro do guarda-roupa. Após ter se arrumado, vai até o banheiro. Primeiro, põe gel no cabelo e depois, o penteia deixando uma franja sobre sua testa. Antes de ir, pega seu inseparável celular, mas sem se esquecer do seu companheiro de viagens: os fones de ouvido.
Depois de estarem todos arrumados, eles entram no incansável Corcel bege e seguem para a cidade de Piquete. Lá, a filha do pastor Zezinho – primo de segundo grau de Seu Jane – iria se casar com um jovem dono de Imobiliária.
Graças as estradas sem trânsito, a família Martins-Valença demora apenas quinze quilômetros e quase dez minutos para chegar finalmente ao seu destino. Além do clima, duas outras coisas diferenciavam esta cerimônia do casamento anterior: a religião e o tamanho do lugar. Eles estavam, agora, em uma pequena e singela igreja evangélica: a Orando para Cristo. Entretanto, em uma coisa os dois matrimônios tinham muito em comum: o ambiente abafado e quente que deixava as pessoas acaloradas.
Entrando na igreja, a família do calado garoto senta-se no penúltimo banco da esquerda. Sempre da mesma forma e fazendo as mesmas coisas:
Seu Jane – cochilando
Dona Iraci – retirando uma caixa de lenços da bolsa
Juninho – chutando o calcanhar de algum coitado
Eduardo – trazendo a mesma cara de tédio para casamentos
Antes dos padrinhos entrarem, o filho mais velho do casal sente uma enorme vontade de beber água. Para poder fazer isso, ele, antes de ir, pede permissão a sua mãe. Dona Iraci permite assentindo com a cabeça.
Tentando não ser notado por ninguém, o tímido garoto passa sorrateiramente pela porta lateral e segue até os fundos daquele lugar. Chegando lá, vê um moderno bebedouro entre os banheiros. Vai até ele, pega um copo de plástico em um suporte acoplado a parede e o coloca embaixo da torneira. Magicamente, a água sai começando a enchê-lo. Para não molhar o chão ou uma das mangas de seu paletó, Eduardo o retira e, surpreendentemente, a água para de sair.
O rapaz, depois de matar a sede e jogar o copo no lixo, repara que havia uma velha cadeira encostada na parede. Ele vai até o objeto e se senta nele. Sentindo-se confortável e imaginando que não ia ser incomodado por ninguém, pega o celular, conecta o fone e começa ouvir música.
Seu play-list no celular de rocks clássicos estava tão bom e alto que o garoto não nota a presença de uma pessoa ao seu lado. Ele só a percebe quando a mesma toca em seu braço e a primeira reação que tem é retirar os fones rapidamente e olhar para ela. A sua frente estava uma menina que aparentava dezessete anos – mesma idade que a dele –, cabelos cacheados loiros e vestida como uma ‘patricinha’: blusinha branca com a seguinte frase em preto – “GodSavethe Queen” –, saia amarela e verde quadriculada e uma bela sapatilha jeans que combinava bem com a pequena jaqueta que usava sobre os ombros.
Apesar de ter sido ignorada, a garota, com um sorriso acolhedor no rosto, o pergunta:
- Está gostando da música?
Como era tímido, Eduardo nunca conseguiu conversar com meninas bonitas e, em consequência disso, não teve relacionamentos amorosos durante toda sua adolescência. Para compensar essa timidez, usava a internet para cantar mulheres. Por isso, naquele momento, ficou calado para pensar em como responder esta pergunta. Por que, apesar de ser uma desconhecida, aquela garota era muito bonita e por este motivo, não poderia deixar a oportunidade de falar com ela escapar. Entretanto, o nervosismo não o deixa falar nada e a moça, tentando se comunicar com ele, explica o motivo de ter feito a pergunta anterior:
- Só pode ser esse o motivo. Por que te chamei três vezes e você só me atendeu quando toquei o seu braço.
- Me desculpa. – o constrangimento aparece na face do rapaz.
Percebendo que acabou de fazer, a moça, tentando fazê-lo ficar à vontade, diz:
- Tudo bem.
Insistindo em tentar deixá-lo o mais confortável possível ao seu lado, a garota, muda de assunto, com um pedido:
- Posso ver o que você está ouvindo?
Tentando reparar o erro que havia cometido, Eduardo desconecta o fone do celular e o entrega. Com o aparelho nas mãos, a menina nota que no play-list de músicas tinha de ACDC a White Snakes. Entretanto, ao perceber um CD do Nirvana e dois do Legião Urbana, uma coisa sai dos seus lábios, sem querer:
- Então é isso...
Ouvir o que ela acabou de dizer faz o rapaz, sem entender nada, questioná-la:
- O quê? Não entendi.
- Não. Nada, não.
Percebendo que acabou de cometer um erro, a moça, mais uma vez, muda de assunto:
- Você gosta de casamentos?
- Até que eles são bonitos, mas, para mim, não são duradouros.
- Como assim?
- Pensa comigo: na frente do padre ou pastor, o casal diz que viverão juntos ‘até que a morte os separe’, certo? Mas é só ter briga ou traição que um deles já pede o divórcio. Então, para que casar?
Após dar sua opinião, Eduardo imagina que, por ser mulher, a garota ia deixá-lo ali sozinho. Mas para a sua felicidade, ele estava errado, pois, ao invés de ir, brincou com o que havia acabado de falar:
- Nossa garoto! Que pessimismo, hein?
- É... eu sei. – os dois começam a gargalhar.
Durante o riso, o rapaz nota uma coisa: mesmo sendo uma desconhecida, ele começava a ficar à mais vontade estando ao lado dela, pois, em muito tempo, aquela era a primeira vez que alguém o tinha feito sorrir novamente. Estando já confortável, Eduardo continua a conversa, perguntando-a:
- Por que você me perguntou se eu gosto de casamentos?
- É quando estava sentada atrás de você, percebi sua cara de tédio. – ela ri do que acaba de dizer.
O adolescente, mais uma vez, fica constrangido com a resposta, pois seu rosto fica, imediatamente, vermelho. Vê-lo assim faz a moça, primeiro, parar de rir e depois, tentando fazê-lo voltar ao normal, dizer:
- Não precisa ficar vermelho, não. Eu amo casamentos, mas odeio a demora deles! – o sorriso acolhedor de antes volta ao seu rosto.
Dizer isto ajuda, pois o rosto de Eduardo, subitamente, volta ao normal. A garota, após vê-lo bem, repentinamente tem uma ideia:
- Já que nós não gostamos de casamentos, o que você acha de sairmos daqui?
- Até aceitaria a ideia, mas não te conheço. Vai que você é uma psicopata? – ele ri da própria piada.
Mais uma vez, o rapaz imagina que ela iria embora por causa de sua piada. Pelo contrário, a moça, após sorrir, se apresenta:
- Meu nome é Annabella, mas pode me chamar de Bella. – ela estende uma das mãos – Qual é o seu nome?
Depois de saber o nome da desconhecida, o garoto se sente mais seguro em revelar o seu:
- Eduardo. – ele aperta a mão dela e os dois se cumprimentam.
Com todos já apresentados, Bella, empolgada, o questiona:
- Bem... já podemos ir?
- Posso te pedir um favor? – ela aceita o pedido assentindo com a cabeça. – Antes de irmos, posso mandar uma mensagem avisando minha mãe?
Como estava com o celular dele, a garota o devolve. Com ele nas mãos, Eduardo envia a seguinte mensagem:
“Mãe
Vou dar uma saída por aí. Preciso de ar. Volto no final do casamento.
Até mais!
Eduardo”
Tendo enviado a mensagem, o rapaz a avisa:
- Pronto! Já podemos ir.
Bella, depois de ouvir isto, estende novamente a mão, ele a segura e os dois saem de lá de mãos dadas. Entretanto, após alguns passos, Eduardo para de andar e em seguida, solta a mão da moça. A desconfiança que sua mãe havia lhe dado de herança, o fez questioná-la:
- Espera aí! Onde nós vamos?
Mesmo com a desconfiança do novo amigo, Bella continuava sendo simpática. Tanto que responde à pergunta com um sorriso no rosto:
- Antes de vir para cá, eu vi uma pracinha perto daqui. Só mais alguns passos e já chegamos lá.
Apesar de ainda estar desconfiado, o rapaz se conforma com a resposta dela e volta a andar, Com isso, os dois seguem pelas vazias ruas piquetenses. Após alguns metros, os dois chegam ao seu destino e a primeira coisa que Bella faz é brincar com ele:
- Pronto! Chegamos. Feliz, garoto desconfiado? – os dois começam a rir.
A praça onde os dois estavam se chamava Ernesto Tataglia – um dos primeiros professores da cidade. Aquele local ficava localizado no centro de duas ruas horizontais, onde muitas flores o adornavam. Além disso, havia algumas árvores e pensando nisso, a prefeitura mandou construir bancos de concreto embaixo delas para evitar o calor de dias ensolarados.
Os dois se sentam no banco que, próximo a ele, estava um bonito ramo de orquídeas brancas – escolha de Bella. Após se sentarem, a garota começa a falar:
- Você vai muito a casamentos?
- Principalmente quando tem casamentos. – ele sorri com o próprio comentário.
- Não, seu bobo! – ela também sorri. – Estou dizendo quando não tem casamentos, entende?
- Sim, estou brincando com você. – ele continua com o sorriso nos lábios. – Por causa dos meus pais, que são evangélicos e diáconos da igreja, eu vou meio que... obrigado, sabe?
- Sim, mas você acredita em Deus?
- Claro que eu acredito. Só acho que as pessoas confundem muito Deus com religião. Na minha opinião, não é a religião que salva pessoas, é Deus.
- Mas você não tem que buscar uma religião para encontrar Deus?
- Isso é utopia. Pensa comigo: nós não podemos encontrar Deus fazendo uma boa-ação, respeitando o nosso próximo ou tendo fé numa hora de adversidade?
- É. Vendo por esse lado, você tem razão.
- E você vai muito a igreja?
- Estou no mesmo barco que o seu. – ela ri.
- Qual é a sua religião?
- Eu sou...
Antes de revelar sua religião, Bella vê algo que a deixa sem fala: a Lua cheia que os iluminava. Ela fica tão admirada com a sua beleza que faz um pedido ao novo amigo:
- Vamos ficar em silêncio e admirar a Lua? – mesmo achando o pedido estranho, ele o aceita e olha para o céu.
Em razão da admiração que sentia, Bella fica em êxtase, naquele momento. Por este motivo, inesperadamente, coloca sua cabeça sobre o ombro do rapaz. Sentir a cabeça de uma menina bonita deitada sobre o seu ombro faz Eduardo sentir uma mistura de duas sensações: uma enorme vergonha e uma alegria que nunca havia sentido antes.
Não era apenas o garoto que sentia uma felicidade, naquele momento, Bella também compartilhava isso. Tanto que, com um suspiro de paz e tranquilidade, comenta uma coisa ao novo amigo:
- Eduardo, estou tão feliz de estar aqui com você.
Uma coisa que atrapalhava muito o rapaz era ser sincero até demais. Por muitas vezes, ele perdeu amigos por não ter papas na língua. Isso quase acontece agora, quando a questiona:
- Por que você se sente feliz de estar comigo? Nós não nos conhecemos?
Percebendo que a garota retira sua cabeça do ombro dele faz o rapaz imaginar novamente que, por causa do que acabou e falar, ela se levantaria dali e o deixaria sozinho. Felizmente, mais uma vez, ele estava errado, pois Bella apenas olha fixamente para os seus olhos castanhos escuros e brinca:
- Garoto, você é bastante desconfiado, hein?
- Eu sei. Desconfio até da minha sombra! – os dois começam a gargalhar com esta piada.
Pouco tempo depois, param de rir e Bella, percebendo que seu novo amigo continuava desconfiado, responde o comentário anterior:
- Não tem muita coisa para saber de mim. O que as pessoas tem que saber é que meu nome é Annabella, tenho dezessete anos, sou loira original de fábrica – ela ri da própria piada –, sou baixa, apesar das pernas longas e peso... não interessa. – agora, apenas sorri.
- Por que o peso não interessa? – ele sorri.
- Uma mulher não revela seu peso!
- Ah é!!! Eu tinha me esquecido. A maioria das mulheres, mesmo magérrimas, tem a mania doida de se acharem gordas. – uma mistura de tédio e deboche aparecem no seu tom de voz.
- É por aí. – ela sorri.
- Ai, essas mulheres! – os dois começam a rir.
Enquanto a gargalhava rolava solta, Bella tem uma ideia tão boa que, imediatamente, para de rir:
- Vamos brincar de uma coisa? – o garoto também para de rir.
- De quê?
- Para você parar de desconfiar de mim, vamos fazer um jogo de perguntas sobre a nossa vida? As regras são a seguinte: primeiro, eu te faço uma pergunta e depois que responder, você faz, entendeu?
- Sim.
- Começa comigo, então: qual sua banda preferida?
- Audioslave e a sua?
- Não os conheço. – uma expressão de dúvida aparece no rosto da garota. – U2.
- Fala sério, Bella! Que banda modinha! – ele ri da própria brincadeira.
- Banda modinha? Ai, garoto! Falo nada para você! – ela apenas sorri. – Que cor você mais gosta?
- Preta e a sua?
- Nossa! Que medo! Estou falando com o Ozzy Osbourne agora. – após usar um tom de voz grosso para dizer isso, ela ri.
- Buuu! – ele brinca com o comentário de Bella e em seguida, ri.
Após pararem de rir, a garota continua o jogo, respondendo à pergunta anterior:
- Gosto do branco, eu sou uma anjinha. – ela coloca suas mãos embaixo do queixo, tentando brincar com o que acabava de dizer. – Qual o seu prato preferido?
- Essa é fácil! – um tom confiante aparece na voz de Eduardo. – Arroz, feijão, bife e batata-frita. E você?
- Salmão e comida japonesa. Falando em comer, qual seu chocolate preferido?
- Laka e o seu?
- Ferrero Rocher. Mas por que o Laka?
- Ora essa! Isso é fácil de responder: ele é branco, macio e delicioso! – em tom jocoso, ele passa a língua sobre sua boca.
- Meu Deus do céu! Além de desconfiado, esse garoto é guloso. – ela sorri. – Qual a pessoa que mais lhe magoou na vida?
Ao ouvir esta pergunta, o rapaz, repentinamente, fica sério e por isso, a pede:
- Por favor, Bella, eu não quero mais brincar disso, tá? – mesmo não sabendo o motivo do pedido, ela o aceita.
Sentindo que o jogo havia acabado, a garota deita novamente sua cabeça sobre o ombro de seu novo amigo. Isso, além de deixá-lo feliz, ajuda Eduardo a ficar ainda mais confortável ao lado dela. Tanto que ele coloca o braço em volta de suas costas, pondo a mão sobre o ombro de Bella.
Estando assim, eles ficam admirando a bela Lua cheia por algumas horas, sem dizer uma única palavra. Este momento, pode-se dizer ‘romântico’, é interrompido pelo som que ecoava no celular de Eduardo. Para ver quem era, ele retira o braço em volta do ombro dela e pega o celular que estava em um dos seus bolsos. Todo este movimento faz Bella levantar, imediatamente, a cabeça. O toque avisava que era a mãe dele, enviando a seguinte mensagem:
“Onde você está? O casamento já acabou faz tempo!
Sua mãe”
Após ler a mensagem, Eduardo olha para o relógio do celular e vê que já eram meia-noite. Isso o faz lembrar que estava muito atrasado para encontrar seus pais, por isso, desesperado, a pede:
- Bella, precisamos ir!
Por ainda estar extasiada com a beleza da Lua, a garota o avisa:
- Pode ir. Eu vou ficar mais um pouquinho aqui. – ela solta um suspiro de paz e tranquilidade. – Mas, antes de ir, pode me fazer um favor?
- Sim, qual?
- Pode me dar o seu telefone?
- Claro. Meu telefone é... – como tinha acabado de conhece-la, passou apenas o número de celular.
Vendo que a garota não tinha celular ou papel e caneta nas mãos, ele, curioso, a questiona:
- Você não vai esquecer o número?
- Pode ficar tranquilo. Eu tenho memória fotográfica. – ela, por estar anestesiada, apenas sorri.
Antes de ir, Eduardo, para se despedir, vai até a garota e dá um rápido beijo em sua bochecha. Após sentir a branca pele macia dela sobre sua boca, ele corre até a igreja.
Chegando lá, a primeira coisa que o rapaz vê é a silhueta fofinha de sua mãe que, encostada na porta da igreja, tinha uma grande expressão de impaciência no rosto. Tanto que, quando o vê, começa a exortá-lo:
- Onde você estava menino?!
- Andando por aí, ué! Como te mandei na mensagem, mãe!
- Você sabe que nós não podemos demorar, pois seu pai tem que acordar cedo para trabalhar amanhã... – sentindo que mais um sermão vinha por aí, Eduardo interrompe o argumento de sua mãe.
- Mãe, me perdoa?! Prometo que não farei mais, mas, como a senhora acabou de dizer, vamos embora porque o papai precisa dormir. – pensando no bem-estar do marido, Dona Iraci aceita o pedido do filho e os dois, imediatamente, correm para o Corcel.
Dentro do veículo, Seu Jane faz a mesma pergunta que sua esposa havia feito segundos atrás para o seu filho, porém com uma rigidez na voz:
- Onde você estava moleque?!
Tentando não aborrecer o pai, o garoto usa a primeira desculpa que veio a sua cabeça:
- Me desculpa se passei da hora, pai? É que, por causa do calor, passei mal e por isso, precisei dar uma volta.
- Tudo bem. – o feirante, por estar cansado e com sono, aceita as desculpas do filho. – Mas que não me aconteça de novo, hein? – porém o adverte, em seguida.
A família Martins-Valença retorna para o seu lar, após mais vinte minutos e mais quinze quilômetros de volta, graças a um pequeno trânsito que retardava sua locomoção. Ao entrar em casa, Eduardo vai direto para o seu quarto. No cômodo, retira a roupa social e, diferente das outras vezes, coloca-a toda arrumada em um cabide. Em seguida, a guarda dentro do guarda-roupa.
Depois de vestir o pijama e deitar na cama, seu celular, repentinamente, toca. Era Bella, mandando a seguinte mensagem:
“Obrigado pela companhia. ^^ Adorei estar com você, garoto desconfiado! hehehehe
Espero passarmos mais momentos como este S2
Bella”

Ler esta mensagem faz Eduardo, primeiro, sorrir de orelha a orelha e, depois, pensar em várias alternativas para explicar o motivo daquilo ter acontecido com ele.

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