domingo, 25 de outubro de 2015

PEQUENA AJUDA - AMOSTRA

Capítulo 1
Um Homem Fracassado

O barulho irritante do despertador do rádio relógio e a luz do sol que invadia aquele quarto fizeram um homem abrir os olhos com dificuldade. Ao abri-los, os coça para sentir se ainda estava vivo ou se tinha ido para o chamado “lugar melhor”. Percebendo que ainda estava na Terra, se levanta e, após desligar aquele som insuportável, dá uma espreguiçada.
Apenas de cueca e usando uma camiseta branca que tinha a seguinte estampa: ‘TE AMO, BASTIAN’ dentro de um grande coração, ele, passando pelo quarto escuro, vai meio sonolento até o banheiro.
Como era próximo ao cômodo anterior, liga uma das suas luzes e entra. Depois de fazer suas necessidades fisiológicas, fica diante do espelho. Lá vê um homem de aparentemente quarenta e cinco anos, com cabelo grande desgrenhado, barba por fazer e marcas roxas por debaixo de seus olhos. Ele, após lavar seu rosto sonolento e olhar seu reflexo, diz:
- Você é um fracassado.
Após escovar seus dentes, pega dois frascos dentro do armário de onde o espelho estava acoplado e, ao desligar uma das lâmpadas do pequeno cômodo, sai de lá.
Com os frascos na mão, vai até o pequeno balcão de bebidas que ficava próximo a uma das janelas grandes da ensolarada sala. De lá, retira um copo grande e uma garrafa de conhaque. Depois de encher o copo e tirar alguns comprimidos de Citalopram e Alprazolam, os toma junto com a bebida.
Em seguida, deixa os frascos, a garrafa e o copo em cima do balcão e vai até o quarto. Veste uma calça moletom verde que estava jogada no chão e para não sentir frio, joga um roupão branco, porém quase cinza pela sujeira que estava sobre o espaldar de uma cadeira, por cima das costas.
Estando vestido e “agasalhado”, volta para a sala. Pega o copo e a garrafa e os coloca em cima de uma mesinha próximo a uma poltrona de couro vermelho. Antes de sentar caminha até toca-cd e se prepara para apertar o play, pois o CD já estava no aparelho. Porém, quando ia aproximando o dedo do botão, um barulho interrompe: gritos, vindo lá de fora.
Incomodado, vai até a porta branca de madeira e, após destrancá-la, abre-a. Ao fazer isso, nota uma moça que aparentava vinte e seis anos e uma menina, com o rosto todo vermelho de tanto chorar. Ao vê-los, ele deduziu que fossem mãe e filha.
Logo que abriu a porta, elas pararam de discutir. A mãe, que aparentava ser latina, disse com um forte portunhol:
- Desculpa senhor! É que minha chica não quer ficar sozinha e tengo que trabajar!
Ele, por estar incomodado com o barulho, olha para elas com uma expressão séria. Mesmo assim, entende o argumento da moça, dizendo:
- Tudo bem. Só não façam tanto barulho, tá?
A moça, parecendo uma oriental, se prostrou repetidas vezes diante dele e em seguida, ordenou a sua filha:
- Vamos Sofia!

Antes de obedece-la, a menina olha para ele junto a sorriso encantador. Aquela demonstração de simpatia causa um medo no homem que, sentindo-se um bicho assustado, fecha a porta sem se despedir de ninguém. Para se acalmar finalmente aperta o play do toca-cd e um jazz deprimente é ecoado naquele cômodo.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Fran eu sempre estou postando pedaços do livro PEQUENA AJUDA no Facebook!
      Mas obrigado pelo comentário! :)

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