quinta-feira, 3 de março de 2016

SESSÃO NOVOS TALENTOS - DJESSIE THAMILY

Na primeira semana do mês de março, apresentarei a professora que tem nome difícil: Djessie Thamily. Ela tem 23 anos e é natural de São Paulo. A moça é um rato de biblioteca, lê de tudo e sobre escrever, coisa que adora, faz o que estiver lhe inspirando no momento. Um desses textos que lhe inspirou foi uma história de princesas e príncipes que ainda não tem título, mas postarei 2 capítulos aqui e quem gostar postarei mais 2, até que chegue aos 6 que tenho comigo!
Com vocês, na SESSÃO NOVOS TALENTOS, DJESSIE THAMILY!!!!

"Eu estava ali sentada sobre a grama, observando os pássaros as flores, as árvores tudo sempre teve um perfume único pra mim, sempre fui apaixonada pela natureza. Cresci tão perto disso tudo que nunca me vi indo para longe. Lembro-me que quando era criança, meus pais me deixavam correr no campo inteiro, me sentia tão livre e feliz. Não que agora eu não seja, mas desde aquela época muitas coisas aconteceram e eu acabei deixando os meus maiores prazeres de lado, mas continuo amando tudo isso.
Ah, desculpe, esqueci-me de me apresentar, sou Lirena, moro em Tunia. Daqui a dois meses completo dezoito e enfim me torno a princesa do meu reino, sou filha única do Rei Verenus e da Rainha Guinia e aqui no reino as responsabilidades da família real começam a partir dos dezoito anos, porém é nessa idade que termina o meu direito de escolha. Amanhã irei conhecer o futuro que eu não planejei o príncipe que meus pais escolheram para mim. Disseram que é de boa família e que juntaremos nossos reinos e seremos prósperos até o fim dos tempos. O palácio estava uma loucura hoje pela manhã com todos os preparativos. Havia tanta correria e barulho que preferi passar o meu único dia livre, sozinha, correndo pelo campo como se ainda fosse apenas uma criança livre.
E eu estava ali sentada sobre a grama observando tudo quando eu o vi tão belo, os cabelos negros, a pele branca, mas quem era ele? E o que fazia sozinho no campo? Fiquei com aquela dúvida martelando em minha cabeça, mas decidi deixar pra lá. Como já estava ficando tarde, decidi voltar. Amanhã me encarrego de descobrir quem era o novo dono dos meus pensamentos.
Com o fim do dia fui para meu quarto, o único lugar do palácio que me sentia livre ultimamente, as paredes eram de um tom claro, minha cama era enorme, mas o lugar perfeito pra mim, sempre foi à janela, de lá dava para ver grande parte do reino e o meu lindo campo, eu desde sempre sentei ali e ficava imaginando como seria minha vida como princesa, como eu tomaria as mais importantes decisões, como eu me apaixonaria pelo mais belo príncipe, sonhos e sonhos de uma garotinha que nem imaginava como é ser uma princesa. Contudo nessa noite meus pensamentos estavam vagando pelos arredores do reino, tentando entender como nunca tinha visto aquele rapaz, desde sempre corri por cada canto deste lugar, como alguém me passara despercebido e alguém de tanta beleza.
Deitei na minha cama o dia amanhã seria longo e eu precisaria estar bem para enfim conhecer o futuro que me esperava.
- Acorde princesa Lirena, já é manhã, o que a princesa deseja para o seu desjejum?
Danaara minha fiel serva e amiga sempre ali, em todos os momentos de minha vida, pois minha mãe com a vida de Rainha sempre esteve com meu pai o Rei com tantos e tantos deveres a serem cumpridos com o seu povo, nunca esteve muito presente em minha vida, já Danaara sempre se manteve ao meu lado.
- Hoje irei descer e tomarei o desjejum lá. Quero ver de perto como estão todos estes preparativos bobos, para um príncipe bobo.
- Não fale assim, Lirena! Seus pais querem o melhor para você.
- Não! Eles querem a prosperidade para o reino, nada importa mais que o reino, nem mesmo a vontade de sua filha.
- Lirena...
- Não adianta minha opinião não mudará, a deles não muda. Enfim prepare minhas roupas, logo descerei. Vesti-me e fui andar pelo palácio, desci as escadas e quantas escadas, fui para o salão de recepção, tudo estava enfeitado com as mais belas flores, estava tão lindo, tão majestoso que por um momento esqueci a finalidade de tudo aquilo e me permiti sonhar.
- Minha bela filha! Como você está essa manhã? Animada para conhecer seu futuro marido?
- Mamãe, não seja tão otimista, a senhora conhece bem meus pensamentos e sabe o quanto eu sou avessa ao fato de não ter o direito de me apaixonar livremente.
- Já falamos sobre isso Lirena querida! Uma Princesa tem deveres a cumprir, em primeiro lug...
- Em primeiro lugar sempre vem o povo, sempre vem àqueles que dependem de mim, para que o reino prospere e tenha vida longa, blá, blá, blá. Será que só eu vejo que eu não terei a vida longa que o reino deseja se viver debaixo da vontade imposta por vocês.
- Já basta, vá tomar o seu desjejum e colocar um sorriso nesse rosto. Sai do salão e fui até Danaara que já me esperava com todas as mais deliciosas coisas que se pode comer pela manhã, entretanto comi pouco, meu animo não estava dos melhores, fui passear para tentar distrair a mente.
Fui para além dos muros do castelo, nem sempre eu fazia isso, porém hoje era o dia pra tal extravagância. Estava tão absorta em meus pensamentos que nem me detinha ao meu caminho, até que, levei um grande esbarrão de alguém e estava pronta para xingar (sim Princesas xingam) quando vi novamente aqueles cabelos escuros, aquela pele branca e agora de perto eu podia notar os olhos mais lindos, escuros e penetrantes que eu já vira na minha vida.
Não conseguia pronunciar nada, fiquei muda e sentia minha pele ferver, como pode alguém que nem sei o nome, me deixar daquela maneira.
- Me perdoe, te machuquei? Você esta bem? Por favor, fala comigo? Ai, eu sou um atrapalhado mesmo até quando estou fazendo meu serviço direito, aparece algo pra dar errado. Ele não parava de falar, enquanto eu não conseguia falar nada, mas me obriguei a voltar para a realidade e descobrir enfim quem ele era.
- Não, foi apenas um acidente eu estou bem, muito obrigada pela preocupação.
- Ufa! Sinto-me melhor então. Sou novo por aqui, estou de passagem na verdade só vim acompanhar alguém, meu nome é Berteu, agora preciso ir meu serviço me aguarda e se me permite sua beleza é estonteante.
- Como? Congelei novamente.
- Ah! Perdoe-me novamente, sou tão estupido que em menos de dez minutos consegui mostrar dois defeitos que tenho, a moça mais bonita que vejo, sim além de atrapalhado sou impulsivo, falo mais do que devo e faço muitas besteiras sem pensar, peço mil desculpas novamente se a ofendi.
- De maneira alguma, estou lisonjeada com seu elogio e compartilho desse pensamento sobre o senhor, até mais.
Sai com toda a postura que pude achar dentro de mim, tentando parecer que estava instável, mas por dentro eu tremia, meu coração estava acelerado, eu precisava sair o mais rápido dali, antes que se desmanchasse de amores por alguém que conheci há poucos minutos. 
Fui em direção ao palácio, aos poucos meus pensamentos se organizavam. Como alguém poderia dizer algo daquela maneira à princesa do reino, todos me tratavam com tanto pudor. Se bem que ele é novo por aqui, talvez nem saiba que sou a Princesa. Será que se souber vai se afastar? Como afastar, nem próximos somos. De onde será que ele veio? Eram tantas perguntas em minha mente que só percebi que cheguei ao palácio quando Danaara me chamou.
-Lirena, onde esteve o baile vai começar em duas horas, você precisa estar pronta, vamos ainda temos que te aprontar. Fomos para meu quarto e lá estava o vestido de baile mais lindo que já vi na vida, mas só por lembrar a realidade que vinha a seguir e de que teria um príncipe a minha espera, já me deixava entristecida, se ao menos ele fosse Berteu, para que eu o conhecesse melhor, porém creio que não era isso o que me esperava, enfim eu estava pronta e segui para o salão de recepção onde aconteceria o baile.

Capítulo 2

Quando entrei no salão, todos me olhavam e me cumprimentavam, era tanta cortesia que me irritava, eu queria ser apenas uma garota comum e sim eu sei que muitas dariam tudo para ter tudo o que tenho, mas eu trocaria tudo para ser apenas comum. Eram apenas sete da noite e o príncipe só se apresentaria as onze, eu teria que fazer a corte até o horário do tão esperado encontro, decidi ficar um pouco e depois escapar para caminhar pelos arredores do palácio.
Ouvia muitas pessoas curiosas comentando que o tal príncipe já havia chegado, mas se mantinha em seus aposentos, mas isso não me causava nenhum interesse, quanto mais eu pudesse evitar esse encontro melhor.
Fui caminhando para o jardim, onde ficaria cercada pelas flores, sempre me encanto com a beleza única que as flores têm, estava tão envolta com as mesmas que me assustei ao ouvir vozes atrás dos arbustos, cheguei mais perto para ver o que estava acontecendo e lá estava Berteu com mais dois rapazes, com certeza trabalhavam junto a ele.
-Estou falando Sariel é a moça mais linda que já vi, por essas bandas e ela disse o mesmo de mim.
-Ah tá. Alguém te achou bonito, Berteu. Não exagere alguém que seja tão bela como você diz, nunca olharia para você.
- Também acho, esbarrei nela por acidente e foi assim que nos conhecemos.
-A explicado, Berteu atrapalhado como sempre, no certo esbarrou em outra coisa e bateu a cabeça e deve estar imaginando que foi alguém de verdade, alguém tão belo que o fez se apaixonar. Pare de imaginar coisas e volte à realidade homem.
-Ela não é imaginaria, vocês verão, esperem eu encontrá-la novamente, vou apresentá-la a você, a mais bela de todas, a minha linda...
- Linda? Não acredito, nem o nome da tal moça você sabe, Berteu você é uma piada.
- Vamos trabalhar que logo você terá que entrar no salão e tudo ficará apenas para eu fazer.
Fiquei ali por mais alguns minutos, tentando processar tudo o que havia escutado. Berteu apaixonado? Por mim.
Vi todos os sonhos que costumava ter na janela do meu quarto, se transformando em realidade e desmoronando assim que me lembrei do príncipe.
Eu precisava encontrar minha mãe, precisava falar com ela sobre Berteu, que seríamos felizes juntos, que eu não queria me casar com um príncipe que não conhecia, a como eu precisava encontrá-la.
Procurei em todos os lugares, mas nada de encontrá-la, vi Danaara e a questionei.
- Viu minha mãe? Preciso conversar com ela o quanto antes, dizer que estou apaixonada, que eu o amo.
- Sim. Ela está em conferência com o Rei e os pais do Príncipe, mas que bom que você aceitou Lirena, eles ficaram intensamente felizes.
-Aceitei o que?
- Seu casamento com O Príncipe, acabou de dizer, que está apaixonada.
-Sim eu disse, mas não é pelo bobo, é por Bert... Deixa, vou atrás de minha mãe.
Sai correndo, quase cai, o vestido era lindo, porém nada prático. Quando a encontrei, estava saindo da sala de reuniões com... Meu pai.
- Lirena, sempre tão linda minha filha.
-Obrigada, meu pai! Mãe nós precisamos ter uma conversar.
- Não tem como minha querida, já está na hora, vamos para o salão o Príncipe fará a entrada é pedirá sua mão enfrente ao reino todo.
Não, não. Já era tarde demais, eu fiquei ali parada, sem saber o que fazer, só notei que estava quase chegando ao trono quando minha mãe falou.
- Cansei de te arrastar, pare de ser mimada e vamos enfrente.
Minha mente não conseguia processar mais nada, eu havia descoberto que o mais lindo de todos, nutria o mais puro dos sentimentos por mim, porém nunca poderíamos viver isso graças aos códigos da família real.
Por quê? Essa era a única pergunta que me fazia no momento.
E então, as portas se abriram, vários soldados entraram marchando, seus uniformes eram verdes e prata, diferentes dos soldados aqui do reino que eram vermelho e branco, todos com uma enorme espada, formavam duas filas, uma de cada lado do tapete vermelho, por onde O Rei Ernest e a Rainha Poena passariam com uma breve apresentação os soldados se colocaram firmes e com as espadas apontadas para o teto do salão, apenas os dois da ponta, estavam ajoelhados esperando a família real passar por eles, para assim poderem levantar, no Reino deles essa cerimônia significava respeito e devoção de seus súditos para com sua monarquia.
Assim que a apresentação acabou O Rei entrou seguido da Rainha, ele era alto e de grande porte, tinha a postura de um verdadeiro herdeiro do trono, uma barba grossa e branca que o deixava elegante, já a Rainha, ela era a imagem da discrição, linda, porém muito recatada não era cheia de exuberância como minha mãe, levava uma joia em seu pescoço de tirar o fôlego, mas sem qualquer tipo de exagero, fiquei deslumbrada ao vê-la.
Ao passarem pelos guardas de joelho, foram até os acentos reais preparados para eles, e foi assim que meu coração se chocou, ao sentarem as trombetas começaram a soar e lá estava Berteu, tão lindo, vindo em minha direção, ele ainda não havia me notado ali, porém eu só conseguia vê-lo, quando estava a poucos passos do trono, foi que ele me olhou nos olhos, e neles eu encontrei surpresa, medo, tristeza. Por quê? O que haveria de errado em mim, como poderia ter me olhado daquela forma, foi então que me dei conta ele realmente não sabia que eu era a princesa daquele que ele acompanhava o príncipe Deneros.
O príncipe era de uma postura majestosa preciso admitir cabelos claros e olhos azuis, sim ele tinha um sorriso encantador, mas nada disso me chamou a atenção naquele momento, ele caminhou até seu aposento E Berteu se pôs em pé ao seu lado, sua face não estava mais iluminada como quando entrou, parecia tão desapontado, minha vontade era ir até ele e dizer que eu começara a sentir o mesmo que ele e que faria o possível para ficarmos juntos, contudo aquilo não poderia acontecer tão cedo.
Meu pai então se levantou pigarreou então todo o salão ficou em silêncio.
- Queridos estamos aqui hoje como todos sabem, para celebrar a futura e próspera União do Reino de Tunia e o Reino Sulamico, espero ter toda a atenção de vocês para as próximas partes dessa maravilhosa cerimônia.
Em seguida o Rei Ernest tomou a palavra.
-Tunia é com muito prazer, que venho até este Reino tão encantador, estou completamente apaixonado por cada perímetro que pude ter o prazer de conhecê-lo e creio que logo serei presenteado com mais beleza. Porém o momento nos leva a meu filho, tão amado filho Deneros, que veio com todo o respeito selar o compromisso não só com a Princesa Lirena, mas com todos vocês, prometendo honrar e protege-los até a vinda de um novo herdeiro ao trono, que levará nossa aliança a se perpetuar.
Nesse momento Deneros se levantou e veio em minha direção, minha mãe me deu sinal para que me colocasse em pé, e assim o fiz.
- Princesa Lirena. Ele se ajoelhou - espero que este humilde e simples gesto de minha parte seja capaz de encher seu coração, capaz de preencher todas as suas expectativas, quero protegê-la e respeitá-la sempre, por favor, aceite este anel e seja minha noiva.
Que palavras lindas, que anel perfeito, que príncipe educado, eu estava encantada, mas meus olhos involuntariamente procuraram Berteu, que assim como eu havia se concentrado no pedido de Deneros, e assim que me viu olhando diretamente para ele, se manteve firme e olhou para frente como um verdadeiro cavalheiro acompanhante.

Eu não sabia o que fazer, minhas mãos estavam suando frio, meu coração acelerado, eu não conseguia manter o foco e de repente tudo escureceu e eu estava no chão, à última coisa que ouvi foi minha mãe gritando meu nome, desmaiei."


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