quarta-feira, 18 de maio de 2016

SESSÃO NOVOS TALENTOS - KÁTIA TOKUDA

Olá pessoas queridas que acompanham este singelo blog.
Tudo bem? 
Faz tempo que não posto nada aqui, né? Tive problemas pessoais e com falta de tempo, mas estou de volta!
Hoje temos na SESSÃO NOVOS TALENTOS, Kátia Hidemi Tokuda. A Farmacêutica\Bioquímica tem 27 anos e é da cidade interiorana paulista: São José do Rio Preto. No quesito escrever a moça comenta: "Gosto de fazer reflexões sobre os nossos  valores, a nossa moral, e gosto muito de escrever sobre como seria a minha morte... E depois, acabo vendo que eu estou perdida, mas que o mundo também. Vejo mais o mal do que o bem. E foi agora que a comecei a descobrir o que as pessoas podem fazer, por simples egoísmo, inveja, ou seja lá o que for." Pura filosofia ela, né gente? rs
Já no campo da leitura, além da coleção VAGALUME, a moça amou ler Memórias Póstumas de Brás Cubas do grande Machado de Assis e Venha Ver o Pôr do Sol de Lygia Fagundes Telles. Também estão no seu currículo de leitura: A Menina que Roubava Livros, o grande autor Fernando Pessoa e Memórias de Minhas Putas Tristes, Cem Anos de Solidão e Amor nos Tempos de Cólera, todos do aclamado Gabriel Garcia Marques...
Com vocês, na SESSÃO NOVOS TALENTOS, a voracidade poética de Kátia Tokuda!!

NÃO HÁ PORQUÊS

Porque ninguém pode me salvar de mim mesma.
Eu tenho que ir… Descobri o mundo e a minha pena é a morte. Será que todos os sonhadores sabem disso?
Preciso voltar para a única coisa que pode me libertar…
Pedi para que enterrassem ainda quando criança aquele frasco verde para mim, porque sempre tive vontade de usá-lo. Mas e se eu suplicar? Mostrar-me-iam onde o esconderam? Afinal, fui eu que o criei sob medida para o meu propósito.
Preciso da minha última dose para repousar para sempre, se o sempre assim existir. O conceito de tempo, destino e eternidade são grandes mistérios para mim, independente de quantas teorias invente para tentar inquietar a minha alma.
Não sei mais o que me prometeram, se foi o céu ou o inferno...
Separarei a minha roupa! Quero a minha boca vermelha como sempre foi!
Resolvi não mais viver! Organizarei a minha vida e então irei para onde sempre pertenci.
Faço isso porque sempre estive sozinha! Não consigo entender a solidão e a melancolia que sinto? Tentei transmitir valores e sentimentos que não existem para mais ninguém, e mais uma vez, fracassei.
Será que conseguirei terminar o meu plano sem que ninguém saiba? Sempre gostei de finais surpreendentes.
E se eu tomar aquele frasco inteiro? Vai demorar muito até a morte me buscar?
Fecharei os olhos para nunca mais abri-los e então, estarei do meu lado livre e morta. Olhar-me-ei e gostaria de dar um sorriso de canto de boca, de satisfação, mas acho que finalmente cairá a minha última lágrima, sendo privada de sentir qualquer coisa. Para quem sentiu tudo da maneira mais intensa, isso será um castigo pelo o que eu fiz... por todos os pecados que gostei de cometer.
Assim, meus pensamentos me abandonarão e outras pessoas os acharão e acabarão como eu acabei: desesperada, desamparada e perdida dentro de si. Preferirá morrer a viver ao lado da morte ou estará com lágrimas nos olhos e descrente de toda a humanidade e de si mesma.
Vendo todos cair em cima de seus valores. Descobrindo que os bons não existem e nunca existiram. Descobrindo a podridão em si e nos outros.
Sentirá o seu coração disparar e não terá ar para respirar. Não saberá o que é clemência e que existem várias palavras inventadas para esconder o mundo.
Ver-se-á sem propósito e verá que todos se enganam procurando os seus. Procurando as suas satisfações, os seus egoísmos, suas mentiras e suas entradas para o céu.
Descobrirá que espelhos são úteis para ver o monstro que se tornou. Tentará consertar as horas e ser dona do tempo, ainda continuando sentir dor. E que suas únicas companhias são seus cigarros e o copo de vodca. Continuando a pensar em um jeito de mudar tudo, mesmo presa dentro de um labirinto que ela mesma criou, do qual se perderá ainda mais tentando achar a saída.
Verá que nenhum feitiço... nenhum sonho... poderá ser libertado dela, são eles que lhe oferecem uma morta lenta e dolorosa, como inconscientemente pediu.
Verá também que suas músicas estarão presas consigo e que ela prenderá no seu mundo o que achar pela frente. Na sua prisão, todos estarão seguros, pois será impossível descobrir que estão presos neste lindo pesadelo. Porque ela ora por todos... todas as noites, antes de dormir. E ora pedindo uma morte tranquila a todos. Isso o que ela tanto quer e não pode ter.
Tomarão o seu corpo na sua infância e desde então, sem saber e perceber, os seus dois lados brigarão. Acabada a luta: tudo o que era bom estará morto, exatamente como aconteceu um dia. Ela não terá mais temor da morte e nem dos deuses.
Finalmente, descobrirá que já está morta e enterrada, assim como eu sempre estive.
Agora, só deixe-me terminar este cigarro e estarei pronta para ir.

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